O Ministério da Saúde Espiritual adverte:

Seja o teu sim, sim e o teu não, não.
Porque os que não forem quentes nem frios serão vomitados.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sobre a nova liderança do Congresso Nacional (fev/2013)


Posicionamento ético independe do que acontece em volta, mas do que acontece dentro de nós, pois é de dentro que ele se origina.

Por exemplo, creio que tanto você como eu nos indignamos com a eleição desses dois ícones da corrupção política para as duas principais lideranças do Congresso Nacional em 2013. E se nos indignamos, é porque este fato vai contra nossos princípios éticos.

Estamos diante de um Congresso que simplesmente perdeu o medo de proceder de forma vil, que escancara sua podridão a céu aberto, porque algo lhes diz que nada lhes acontecerá em termos de punição. Eles simplesmente não tem medo de serem punidos, por isso prosseguem nesse festim diabólico diante de nossos olhos e ouvidos.

Parece-me que temos enviado a mensagem errada a eles, apenas demonstrando nossa insatisfação através de redes sociais e manifestações tímidas nas ruas. Este apodrecimento das instituições legislativas não é recente: sua corrosão vem sendo parcimoniosamente trabalhada por décadas, um milímetro de cada vez, graças à nossa tolerância ao "rouba, mas faz", ao "um pouco de sujeira não nos matará". Fato é que certamente não nos matará, pois somos necessários à manutenção do poder que lhes concedemos com o lixo que depositamos nas urnas a cada dois anos, alternando níveis municipais e federais, mas certamente nos debilita cada vez mais com relação a qualquer tipo de reação que possamos vir a empreender.

A questão é que todo tirano engorda, envelhece e adoece da própria opulência. Então, outro aventureiro, mais jovem, mais vigoroso e igualmente corrupto, trabalhará vigorosamente para remover o velho lixo de seu trono, para então ocupá-lo. A menos, é claro, que um surto de consciência coletiva ocorra, sacudindo de sobre o corpo da nação os parasitas que hoje a afligem.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Brasil está tão bem quanto se diz? Claro que sim, obrigado!

Em termos macroeconomicos, é fato que vivemos uma onda de prosperidade que se configura suficientemente longa para mudar definitivamente a cara desse país.

É certo, no entanto, que nem todos as profissões estão se beneficiando igualmente dessa onda de prosperidade. Algumas delas, importantíssimas cerca de uma década atrás, estão em franco encolhimento em função de avanços tecnológicos que simplesmente estão dizimando a necessidade por determinadas funções e serviços. Por isso temos tanta gente qualificada sem emprego - aqui e no mundo inteiro.

Na outra mão, temos petróleo sendo descoberto no Rio de Janeiro e em Sergipe, o suficiente para daqui a pouco termos algo equivalente a uma Dubai tropical por essas bandas, sem o inconveniente do deserto. Já vivemos o pico de demanda por obras e serviços em função das Olimpíadas e Copa da FIFA, que por sua vez já trouxeram de volta o megaevento Rock in Rio.

Esse é um bom momento para se estar no Brasil se o profissional é afeito a cimento, areia, ferro, solda e petróleo. Quem atende a essa população também se dá muito bem, pois esse povo precisa comer, dormir, vestir, estudar, se divertir, etc.

A decisão governamental - heterodoxa, por sinal - de fazer o dinheiro começar a circular de baixo para cima - do pobre para o rico, em vez de do rico para o rico, como sempre foi - parece ter trazido benefícios palpáveis para quem provê o consumo básico e seus indiretos, além de ter fortalecido o mercado interno, a ponto de termos sentido apenas uma "marolinha" na tsunami que foi a Crise Americana de 2008 - que se estende até hoje, por sinal.

O avanço da informática tem permitido ao governo ser mais zeloso quanto à arrecadação tributária e ele tem feito bom uso dessa facilidade, principalmente no cruzamento de informações dos contribuintes, o que está minando aos poucos, mas progressivamente, a secular informalidade típica da nossa economia.

Mas é bom que se entenda uma coisa: não nos tornamos o El Dorado. Nossas casas ainda são de tijolo e não tropeçamos em diamantes na rua, a menos que ele tenha caído das mãos de algum ladrão apavorado.

Se este quadro te anima, então prepare-se correndo, por que a tendencia é a fila crescer. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não escolher é a pior escolha, mas ainda é uma escolha

Aquele que afirma "não se envolver com política" já está envolvido nela até o último fio de cabelo - apenas escolheu se omitir e ser governado pelos que participam do debate.
Esses indivíduos são componentes importantes em qualquer cenário político - esses sim, são a verdadeira massa de manobra, porque deles emana o posicionamento leviano "contra/a favor".
Esses sim, precisam ser habilmente manobrados pelos pólos politizantes (isso soa como pleonasmo!), pois deles não emana a convicção política dos seguidores de A ou B, mas a mera opinião volátil, que precisa estar oportunamente polarizada no momento da escolha.
Esses sim, quando escolhem, o fazem por motivos fúteis e fugazes, que alimentam os equívocos históricos e as convulsões sociais que deles derivam. Pior: quando enfim eclode a convulsão social, enfiam-se assustados e acovardados em suas cavernas, esperando que a situação por si só se defina, para mais tarde se submeterem ao sobrevivente do embate.
E ainda se orgulham de sua convicção nada convicta. Quem afirma não se envolver com política é, acima de tudo, um mentiroso contumaz, pois a partir de sua posição omissa são deflagrados os conflitos sociais dos quais ele foge, como uma matriz que rejeita a própria cria. Não tem noção de que o distúrbio se agiganta a partir da omissão de muitos frente às conviccções de poucos, que passam a ter que gritar, em vez de falar, pois falam por si mesmos e por aqueles que se recusam a falar.
A omissão é o germe do radicalismo, assim como o radicalismo é o germe da omissão.
A covardia de muitos provoca a coragem de poucos - e nem sempre essa coragem deriva de motivos nobres. 
Do que gemem portanto, os omissos, ao verem a iniquidade germinando no fértil solo do seu silencio?
Colherá girassóis aquele que os semear.
Ao que não semeia, restam as urtigas, pois essas não demandam que alguém as semeie.
Não seja assim conosco.