O que aconteceu no morro do Bumba, Niterói, RJ foi uma combinação de fatores, todos eles conhecidos e ainda assim desprezados pelas pessoas relacionadas àquele local nas instancias políticas, governamentais e sociais. Senão, vejamos:
Um depósito ilegal de lixo ("lixão" não é aterro sanitário!) é desativado há cerca de 30 anos.
Candidatos a cargos políticos imediatamente incentivam a ocupação da área de risco, patrocinando material - cimento, tijolos e ferro - para construção das casas em troca de votos.
O povo aceita a proposta dos políticos e ocupa a área.
A Secretaria Municipal de Urbanismo planta uma placa anunciando projetos de urbanização na área de risco, praticamente legalizando o assentamento daquelas famílias.
O fenomeno climático El Niño intensifica o regime de chuvas sobre aquela área de risco.
A água das chuvas desgarra o solo sobre a camada rochosa do morro do Bumba e provoca uma avalanche, que tem seus efeitos maximizados pela camada de lixo debaixo das construções.
Casas e pessoas são arrastadas e moídas pelo deslizamento, ocasionando fatalidades.
Lembro-me do primeiro filme sobre o Batman para o cinema, estrelado por Michael Keaton (Bruce Wayne / Batman) e Jack Nicholson (Coringa), em que o vilão pergunta ao menino Bruce, diante dos cadáveres do Sr. e Sra. Wayne: "Garoto, já dançou com o demonio sob a luz do luar?" Bruce Wayne não aceitou o convite e ainda por cima acabou com o bandido no final do filme.
Que dizer então, de pessoas que aceitam o convite do demonio para dançarem com ele sob a luz do luar? Se o exemplo não vier de quem elege, acaso virá dos eleitos? Não creio... não creio, não posso crer e não quero crer.
Não é preciso ter culpa total pelo desastre para receber suas consequencias: basta menear a cabeça ou mesmo fechar os olhos e deixar que o demonio te conduza na dança.
E ele conduzirá, sem sombra de dúvida, lamentavelmente, pois ele não deseja outra coisa.
Ontem fui levar meus dois garotos - 14 e 7 - para fazer as cadeiras de identidade e experimentei o que é ser submetido a uma estrutura organizacional sem meritocracia, cheia de feudos de poder, muitas vezes do tamanho de uma mesa e uma cadeira.
O nosso atendente tinha uma atitude entediada, blasé. Ele conseguiu me fazer sair correndo por tres vezes pela rua, atrás de pendencias que ele poderia ter informado todas de uma vez, em vez de solicitá-las aos pouquinhos, a fim de fazer com que o nosso atendimento se alongasse até o fim do seu expediente, às 16h00. E ele ficava repetindo: "Calma, pai! Dá tempo, sim!"
Só que havia uma fila aguardando atendimento e ele simplesmente os mandou embora às 15h55 pois não conseguiria atende-los.
Ficar depois da hora para acabar com a fila? Nem pensar!
Ele era funcionário público? Não!
Apenas trabalhava num posto conveniado ao Instituto Felix Pacheco, que é o órgão oficial de documentação no estado do Rio de Janeiro, esse sim, com funcionários públicos.
O que dizer então de empresas que nenhuma relação tem com o governo e mantém cabides de emprego? Os motivos são os mesmos: alianças políticas (não-governamentais), parentesco, relações ilícitas, etc.
Se o exemplo não vem de quem elege, como cobrar dos eleitos uma postura diferente? (Hmmm...)
A política, não só a governamental, mas empresarial também, tem essa coisa de não enxergar DE PROPÓSITO os avanços conquistados e só enxergar o que não foi feito ou mal feito, apesar dos detratores serem muitas vezes os principais beneficiários desses avanços.
É paradoxal chegarmos num ano de eleições com um quadro economico e social promissor para o país e ao mesmo tempo tão carentes de opções eleitorais.
Mas se nos detivermos mais um pouco sobre este cenário, veremos uma mensagem clara: os partidos políticos já percebem que não tem adiantado maquiar um fantoche e chama-lo de candidato para obter vitória nas urnas.
Eles estão sem opção mas ainda tentam nos empurrar como solução o entulho político de que já deveriam ter se livrado já nas últimas eleições. Eles ainda não tem quadros preparados para este tempo que despontou no final de 2008. O velho modelo faliu e eles ainda tentam ressuscita-lo para mais uma rodada de maquiagem, mas a verdade é que eles estão sem alternativa. Estamos literalmente na hora da xepa dessa feira livre política.
Creio fortemente que os avanços tecnológicos dos quais sou um dos orgulhosos agentes ativos nas últimas duas, quase tres décadas (!!!) tem possibilitado o rastreamento de toda essa sujeirada que, por tempo mais que o suportável, tem vampirizado este país.
Ainda há muito a ser feito, mas a trilha já é visível. A nova geração de políticos deve ser um pouco melhor do que a que descerá pelo ralo nessas eleições. Se não, vejamos...
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